Fintech oferece contas digitais gratuitas para a geração Z
O cofrinho de guardar trocados dos millenials evoluiu e a geração Z hoje conta com a tecnologia para lidar com o dinheiro que recebe de mesada ou trabalhos e estágios. A Z1 é uma startup que oferece contas digitais gratuitas para adolescentes de 13 a 18 anos, com um cartão de crédito pré-pago que só tem transações autorizadas dentro do limite de saldo disponível na conta – sem risco de estourar a fatura.
A única atuação dos pais ou responsáveis é autorizar a criação da conta. A partir daí, é o adolescente quem fica responsável por gerir seu próprio dinheiro – o adulto não tem acesso detalhado a como o menor gasta.
Autonomia, confiança e independência são demandas dessa geração, mas, contraditoriamente, os adolescentes ainda precisavam usar dinheiro em papel, sendo que todo o restante de suas vidas é digital.
“Muitos desses brasileiros já são economicamente ativos antes dos 18 anos e não necessariamente precisam, mas querem ter sua independência financeira. Recebemos relatos de clientes que antes tinham que ir de bicicleta até a lotérica pegar o dinheiro da pensão alimentícia ou receber pela conta do primo, por exemplo. E com a Z1 conseguem gerar um boleto para receber”, afirma Sophie Secaf, uma das fundadoras da fintech juntamente com João Pedro Thompson, Mateus Craveiro e Thiago Achatz.

De acordo com ela, os adolescentes não querem ser tratados como crianças ou subestimados, achando que não se pode falar de dinheiro com eles. E o CEO João Pedro completa: “A gente sai do colégio sabendo sobre fotossíntese e o que aconteceu no século 16, mas finanças, a única coisa que tenho certeza que qualquer pessoa terá de lidar — independente da profissão –, não é uma disciplina abordada”.
Por isso, outra missão levada a sério pela Z1 é a produção de conteúdo voltado para a educação financeira. Com mais de 300 mil seguidores no TikTok, a fintech trabalha em parceria com influenciadores da geração Z para dar dicas financeiras usando uma linguagem própria.
“O lugar de fala é uma coisa muito valorizada por essa geração, então usamos uma rede de influenciadores que cocriam os conteúdos com a gente, mas com liberdade criativa para se expressarem da forma como gostam”, explica Sophie.
A diversidade também é observada tanto no time que trabalha na startup quanto para seus clientes. Mais de 70% da equipe é composta por pessoas de grupos minorizados, o recrutamento não exige qualificações como inglês ou MBA e a startup subsidia a retificação do nome social de pessoas trans da equipe. Clientes também podem usar o nome social nos cartões da fintech.
A taxa de crescimento da startup, lançada em janeiro de 2021, é atualmente de 30% ao mês, e por enquanto há um limite de idade estabelecido por uma questão de foco no público que mais tem dificuldade de abrir uma conta. Mas a ideia é, no futuro, seguir com esse cliente na idade adulta.

